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A Trend que me emocionou



Ontem a noite, organizei uma lista completa sobre como seria meu dia de hoje. E no final desta lista eu coloquei um momento só para mim,para me cuidar . Mas como nem sempre a vida segue a ordem das coisas, me peguei navegando pelo Tik Tok e talvez tenha sido a melhor coisa que poderia ter  acontecido no meu dia. Encontrei uma trend sensacional com o tema " Chamei minha eu do passado para tomar um café". As pessoas choravam ao contar a sensação que sentiram ao se reencontrar com o seu eu do passado, quase esquecido. Por coincidência essa semana estava caminhando pela rua quando encontrei um livro novinho numa lixeira. O livro parecia ter saído direto de uma livraria de tão novo. Peguei-o e levei para casa, não sei se o título me chamou a atenção ( A costureira de Dachau) ou se foi o fato de falar sobre os horrores da segunda guerra. Uma tema que me sensibiliza.

Então quando resolvi fazer a Trend apenas para viver a experiência de um reencontro comigo mesma no passado, veio a minha mente aquela adolescente de 17 anos que trabalhava numa fábrica de costura. Foi incrível. Me lembrei da camisa cinza de botões e a bermuda de crepe bege ,os cabelos tão lindos cacheados ( como assim? Eu usava creme ruim na época 🤔) Uma pele de porcelana ( Gente do céu, não usava protetor facial caríssimo, muito menos maquiagem) uma cintura de pilão e bem magra, eu a abordei para uma conversa dizendo que eu tinha vindo do futuro. Ela sorriu com um olhar brilhante e um sorriso lindo.. 

Crítica como sempre ,ela me olhou e disse:

- Nossa, o que aconteceu comigo? e apenas respondi:

- A vida não tem sido muito boa comigo.

Sentamos numa lanchonete e ela pediu uma vitamina de morango e uma fatia de empadão. Eu escolhi uma fatia de bolo red Velvet( ela nem sabia que isto existia)

Contei pra ela um resumo da minha vida. Que realizei o sonho de me casar e que tenho dois filhos, um Doutor, cirurgião dentista e outro se preparando pra ser um cientista. Ela logo arregalou os olhos e disse:

- Não tive uma menina? Respondi que não, mas que ela seria capaz de dar a vida pelos filhos. Contei que realizei sonhos ,viajei muito, me dediquei com muito amor a missão e ela ouvia curiosa. Até que comecei a chorar contando a parte triste e ela ficou muito sensibilizada, assustada, até completamente chocada.

Percebi as lágrimas em seus olhos. Ela sempre se sensibilizou com a dor , apesar de seu jeito revoltada e dizer tudo que pensa, costumava tomar as dores dos outros pra si. (O problema é quando começaram a confundir bondade com fraqueza) Talvez ,disse eu, se você não fosse essa esponja emocional, essa romântica incorrigível sua vida fosse ser tão diferente. Enquanto eu a culpava por ser quem me tornei, ela apenas me olhou nos olhos  com muita compaixão  e disse, você lembra? e cantou:

Se algum dia você, vir um pingo de chuva a rolar na janela a escorrer, saiba então que não há, nem um pingo de chuva igualzinho um ao outro podes crer.

Não há outra igual a você, nem uma outra igual a você, Deus a ama assim como é você, diante do nosso Deus, você é muito especial, Deus a ama assim como é você.

Eu a abracei tão forte, comecei a chorar alto. Não queria mais solta la. Percebi que tinha me tornado como aquele livro novo jogado na lixeira. Tomava as dores alheias e me tornei carrasca de mim mesma. Que o valor que recebo, nem chega perto do que sempre doei aos outros e isto não é sobre mim, é sobre como as pessoas são. Sempre procurei ser ótima filha, esposa, mãe, profissional ,em que momento passei deixei de ser generosa comigo mesma?

Foi forte, e necessário."Passei tanto tempo da minha vida a ser o pilar  aquela que permanece firme enquanto tudo ao redor desmorona, aquele que carrega o peso, mesmo quando ele parece insuportável.

Fiz da minha força uma armadura, e, com o tempo, quase esqueci como é ser suave, como é baixar a guarda.Talvez por isso a gentileza toque tão profundamente.Não porque eu precise ser salva — sei lidar com os dias difíceis.Mas porque, em um mundo onde a força parece uma obrigação,ser tratada com ternura é um lembrete de que ser vulnerável não é fraqueza, mas liberdade.

Quando se está acostumada a carregar tanto,

os menores gestos de bondade são como um sussurro:

'Você pode descansar. Não precisa ser forte o tempo todo. E as vezes, isso é tudo o que eu preciso para continuar."

Experiência que se fala!



 


 

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